segunda-feira, 10 de março de 2014

O autógrafo que foi lavado.


O ano era 1998 e o Corinthians havia se classificado para a final do Campeonato Paulista. Gamarra, Gilmar Fubá, Silvinho, Marcelinho Carioca e companhia iriam em busca do bicampeonato estadual contra o 5ão Paulo.
Nessa época eu já enchia os pacova do pessoal de casa com um desejo claro: “quero ir num jogo do Corinthians”. O fascínio por ter estado no Pacaembu em um jogo de Juniores em 1995 já havia passado, o papo de que “estádio é um lugar muito violento pra levar criança” não colava mais e eu queria porque queria (vejo hoje, com toda razão neste meu querer) ir em um jogo do Corinthians.
Nessa época, ainda, os treinos cotidianos dos jogadores profissionais do Corinthians eram realizados no estádio Alfredo Schuring, dentro do Parque São Jorge, e eram (descobriram os meus pais) abertos à torcida. O que, diga-se de passagem, permitia um contato muito mais estreito entre jogadores, sócios do clube e torcedores em geral – a quem será que interessa o refúgio em um centro de treinamento inacessível à sócios e torcida?
Meus pais, então, bolaram um plano, se organizaram e, não querendo (ou não podendo, não sei) me levar a um dos jogos da final, tapearam minha vontade me levando à Fazendinha para assistir ao treino do sábado, véspera do primeiro jogo da final.
Não tenho muitas lembranças do treinamento em si, só os jogadores correndo ao redor do gramado (quando o Gilmar fez um positivo pra mim), a chegada de alguma torcida organizada (com batuques e bandeiras) e um momento muito esperado: o fim do treino, quando os jogadores se aproximariam do alambrado para dar autógrafos aos torcedores.
Havíamos levado uma camisa que eu tinha (pirata, simples, que era o que cabia no bolso e na vontade de vestir uma camisa do Corinthians) com esse intuito, de recolher nela algumas assinaturas.
Nem todos ficavam para este momento, é importante dizer. Os que ficavam eram solícitos e atenciosos. Lembro-me de interromper uma conversa do zagueiro Cris com um rapaz que vestia camisa dos Gaviões da Fiel para lhe pedir um autógrafo em minha camisa – que não estava vestida, mas na mão, para passar pelo alambrado. Ele a pegou, autografou, me devolveu e voltou a conversar com o rapaz.
Lembro que havia um grande aglomerado de pessoas em uma região específica do alambrado, pois, do outro lado deste, Marcelinho Carioca concedia, sem pressas, autógrafos. Meu pai me posicionou em um local distante da muvuca, orientou que eu não saísse de lá por nada, e se enfiou no meio daquele mundaréu de gente (que nem deveria ser tão grande assim, mas que, aos olhos do Gabriel de 9 anos, parecia gigante), e retornou de lá um tempo depois, trazendo em mãos minha camisa com uma assinatura em azul ao lado do símbolo do clube: “Marcelinho”, se lia na assinatura.
Além do Cris e do Marcelinho, Vanderlei Luxemburgo, técnico da equipe, e Didi, que se não me falha a memória fez as vezes de “talismã” nalgumas partidas daquele ano, também colocaram seu nome em minha camisa.
Durante anos esta camisa ficou sumida. Depois de anos ela reapareceu. E durante um outro grupo de anos, ela me era um troféu, mostrava para amigos que iam em casa, falava sobre ela quando era oportuno (ou nem tão oportuno assim). Certa vez tentei enquadrá-la, mas não deu certo. E decidi por bem a guardar em uma caixa junto com outras tantas camisas do Corinthians que já não me servem mais – não sei o que vocês fazem com as camisas que ficam pequenas, eu guardo, vai que um dia vem uma nova geração para vesti-las...
Porém, o motivo da escrita deste texto não é enaltecer esta tão histórica – para mim – camisa, mas sim comentar sobre a perda do “supertrunfo” em seu peito.
Nas confusões eminentes da minha mais recente mudança (a saída de uma casa em Marília, para duas em São Paulo) ela foi colocada para lavar juntamente com outras peças de roupa. E então, aquele traço contínuo e fino, que formava em letra de mão corrida, a palavra “Marcelinho” se foi pelo ciclo de lavagem de uma moderna máquina de lavar e centrifugar roupas.
A materialidade que comprova que um dia Marcelinho Carioca (ídolo de minha infância, cujo modo de comemorar gols tantas vezes imitei para celebrar aqueles que eu marcava) pegou uma camisa minha em suas mãos e imprimiu sobre ela o seu nome, a sua assinatura, a sua marca, não mais existe.

Deste fato material restam apenas as lembranças inocentes de um garoto cujos pais faziam o que podiam (entre a escassez financeira e os típicos problemas domésticos) para contemplar suas vontades de ser Corinthiano.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Naquela noite em que o meu coração parou.


Eu sei, não foi só o meu coração que parou. E, eu sei, essa metáfora só cai bem por que nossos corações pararam, e depois voltaram, explosivos, por ai.

Naquela época dividia a casa com um porco-não-praticante e um Corinthiano-ausente. O porco respeitava os momentos plenos de Corinthianismo que se faziam marcantes nas quartas, quintas, sábados e domingos daquela casa. O Corinthiano-ausente, esteve presente numa ou noutra destas situações.
Por se tratar do primeiro semestre de 2012 (havia omitido esse detalhe) sabemos: os momentos mais marcantes foram as noites de quarta feira. 
Foram 14 noites, 12 delas vividas nessa casa e na companhia do porco. E, na noite daquele segundo confronto contra o vasco, o meu, o seu, os nossos corações pararam quando o Alessandro deu todas as piadas envolvendo, até então, Corinthians e Libertadores, nos pés do Diego Souza, como quem diz: "vai lá Diego, faça essas piadas reinarem por mais um tempo".
Nesse momento, escorreguei do sofá para o chão da sala. Cássio desviou, e eu, aliviei. Respirado. Aliás, respirei aliviado. Escanteio pra eles e bola na trave.
"Créc", foi o som do coração parando. 
A pequena garrafa de cerveja foi deixada de lado. Esqueci que havia a opção de beber algo, ou mesmo que eu tinha boca pra beber, ou mesmo que eu tinha ou que eu existia. Eu só via.
Lembro, inclusive - e, sobretudo, com grande glória - do momento em que os caras vestindo um colete laranja por cima da roupa pularam as placas de propaganda e entraram no gramado e abraçaram o Paulinho.
Eu lembro que só entendi que o Corintias realmente havia marcado um gol, depois de alguns bons segundos da bola ter passado pelo goleiro deles e pelas traves e tocado as redes. Demorei pra entender. E demorei-me em gritar, aos berros, socando o chão duro de ardósia. E gritava para sentir que estava vivo novamente. E só fiz isso depois de ver os reservas entrando em campo.
Era uma noite fria, o corpo já estava aquecido em razão da cara cheia. Outro susto, no fim do jogo. Passou. Ufa.
"Vou pra rua".
O porco veio perguntar se tava tudo bem, se eu estava bem. "Vou pra rua". 
Ignorei o frio, ignorei qualquer destino que sabia devia seguir naquela noite, ignorei que havia uma manhã seguinte com obrigações e necessidade de presença noutro lugar. Abri a última cerveja da casa e fui pra rua. 
Ainda gritava, cantava, murmurava, berrava, um misto de tudo isso, não importa. 
Encontrei os pares Corinthianos já sentados nas cadeiras plásticas duma mesa plástica na calçada. Outros chegaram, a emoção era uma só. E todos (não eramos muitos) ainda estávamos eufóricos; e se não tinha chão de ardósia para socar, breves tapas na mesa absorviam a eletricidade ainda reinante em nossos corações recém parados e recém reativados.
"O bar vai fechar", "pô são paulino, desce a saidera pros Corintia ai, que que é isso".
"Não posso ir pra casa. Não agora, assim, desse jeito. Pelo Corintias, vou ficar na rua", resmunguei (certamente segurando o distintivo da camisa que eu vestia).
E fiquei, que nem aquela anedota, do macaco que vai de galho em galho, pra lá e pra cá. Eu nem imaginava que existiam fronhas do Corintias - depois descobri que havia também um kit de lençóis, mas isso foi depois - e então voltei pra casa. 
Chumbado, como a consciência do rapaz que perdeu o gol, que parou meu coração; extasiado, como a alma do rapaz que marcou o gol e reviveu meu coração. Caminhei para casa já acompanhado do sol nascente. Esquentei as mãos batendo uma contra a outra, marcando o ritmo para cantarolar a única melodia que podia ser cantada naquele amanhecer de bebedeira por ti Corintias: "salve o Corinthians, o campeão dos campeões...".


E foi assim que eu (sobre)vivi a noite do dia 23 de maio de 2012.


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Isso não é piada com o Corintia, é preconceito social.

 Num sábado recente, em um evento de metal que teve no Cão Pererê (bar em que trabalho e no qual trabalhei neste dia específico vestindo uma camisa do Corintias) pude me encontrar com o mais cretino dos tipos de pessoa: o chato preconceituoso.
Inicialmente acreditei se tratar de mero brincalhão, e levei as primeiras tiradas “na esportiva”, brincando. Mas eu estava equivocado, e tão logo respondi à primeira e à segunda brincadeira, percebi que o cara não era, digamos, dos mais dotados de limite e respeito.
Veio dizendo que minha camisa enfeiava o bar, ao que respondi como já fiz noutras situações: “que nada, minha camisa é o ponto mais bonito desse bar”. Respondeu dizendo que tinha que ser uma camisa do Parmera: “mas esse é um bar de primeira meu amigo, não um botequim de segunda”, respondi.
E então a abordagem do cara começou a permear o xarope-escroto mesclado com o estúpido-repudiante e o preconceituoso-vulgar.
Veio com papos de que eu deveria levar uma surra em vez de estar trabalhando lá. Veio com papos de que eu não deveria estar vendendo cervejas, mas sim catando latinhas na rua. Veio com papos de que “todo Corinthiano é submisso”, pois eu buscava as cervejas quando ele pedia e pagava. Veio com papos de que tinha que conferir o troco direito por que “corinthiano ou é puta ou é bandido” (nesse momento, me ausentei do bar por alguns minutos para evitar a concretização da necessidade de quebrar um dos cascos de cerveja do bar nele).
Quando voltei, veio com papos de que “olha só, ele não é analfabeto, sabe até escrever”, quando me viu fazendo anotações no caderno do bar. Veio com papos de que eu, por ser Corinthiano, não tinha o direito de dizer nada a ninguém no bar, inclusive que tínhamos de fechar.
Os preconceitos e os incômodos de um ser que realiza estas falas, sabemos, não são para com o Corinthians ou para com os Corinthianos, mas, sim, para com aqueles que tentam ganhar o pão-nosso-de-todo-dia catando latinhas. É para com aqueles que, por falta de oportunidade de estudo, não tiveram a possibilidade de se alfabetizar. Os preconceitos deste Porco são para com as prostitutas, os ladrões, os que são inferiorizados como ‘submissos’ em uma sociedade hierarquizada e opressora. E ele, de um jeitinho bem cretino, coloca tais preconceitos para fora disfarçados de “brincadeiras do futebol” – que de brincadeiras não têm nada e, menos ainda, tem algo de “do futebol”.
É cretinice social pura, das mais brabas e das mais perigosas.
Pergunto: até quando haverá idiotas com esses tipos de pensamento?


sexta-feira, 19 de julho de 2013

A Heresia deste Corinthiano.


Pisava as arquibancadas do Pacaembu com todo o respeito que aqueles degraus de cimento merecem. Não cantava, não erguia ou movia os punhos aos céus (como que ditando o ritmo para o Time em campo). Tampouco batia palmas: mantinha as mãos próximas à boca, e o olhar fixo no gramado.
"Não tem como evitar a tensão durante o jogo, sempre fico assim. É um nervosismo muito grande pra mim, por isso eu nunca tinha vindo ver jogo no Estádio".

A primeira vez que se entra no Pacaembu. 
A primeira vez que se vê o Time do Corinthians entrar no gramado que é testemunha viva da conquista do Título do Quarto Centenário. Aquele campo que era ainda a grama fresquinha do Título da Libertadores daquele 2012.
A primeira vez em que se é, ali mesmo, parte da massa Alvinegra (até então, apenas vista pela Televisão, pela Internet) durante os noventa minutos.

Tira as mãos de perto 
da boca pra lamentar 
o gol adversário.
             
                     Abre os braços 
                     pra celebrar o 
                     gol do empate.
                    
                                     Solta a garganta 
                                     pra comemorar 
                                     o gol da vitória.


O Corintias é Gigante, tão bem sabemos. 
A beleza das Corinthianas (que entendem de Corintias), enorme.
A Heresia deste Corinthiano, então, fora sem precedentes; talvez seja proporcionalmente inversa à grandiosidade da beleza da Corinthiana que entende de Corinthians.

VAI CORINTIAS!
VAI CORINTHIANS!





terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Invertendo a Ordem da cidade.

São Paulo é a cidade da ordem. Talvez, em sentindo mais amplo, a cidade "das ordens": da ordem positivista, da ordem capitalista, da ordem do dominó - aquela famosa imagem, das peças de dominó em pé, enfileiradas: caiu uma, caem todas.
São Paulo é a cidade da ordem em que as pessoas que querem ficar paradas em degrau das escadas elétricas permanecem à direita, e quem tem pressa, sobe com passos largos os degraus à esquerda. Ouse parar no lado esquerdo de alguma destas escadas rolantes, e verá os nomes que usarão para se referir você.
São Paulo é a cidade da ordem, em que se uma destas escadas elétricas em uma das principais estações de metrô quebra, rapidamente um aglomerado desordenado se forma na estação, e tumultua embarques e desembarques.
São Paulo é a cidade que nasceu com ordem restrita, ordens de Vila, e cresceu, cresceu, cresceu... Ser um ponto estratégico entre o interior e o litoral fez com que crescesse mais, e mais, até ser referida nos dias atuais como "maior cidade do Brasil" e "coração financeira da América do Sul", e por ai vai.
São Paulo é a cidade em que foi fundado o Corintias, por um grupo de trabalhadores, em 1910 - quando a cidade ainda não era esse monstro que conhecemos hoje, e já deixava de ser a Vila de São Paulo de Piratininga. Esse clube, o Sport Club Corinthians Paulista, também cresceu e cresceu, também se enfileirou um pouco (é verdade) nas "ordens". Foi então que hoje (18 de Dezembro de 2012), em razão do time de futebol profissional deste clube ter conquistado o Mundial de Clubes, toda a ordem correu Tietê abaixo, para que (talvez vindo do Tamanduateí, que deságua neste Tietê) emergisse outra ordem: a ordem da festa!

São Paulo é a cidade que parou no dia 18 de Dezembro de 2012, pois o Sport Club Corinthians Paulista conquistou, com os pés, a cabeça e as mãos, pela 2ª vez, algo digno de se fazer uma festa de parar o mundo - ou, pelo menos, uma das maiores cidades do mundo.

***

Ao cruzarmos o Rio Tietê passando pela Ponte das Bandeiras, me recordei que naquele mesmo espaço da cidade - referido no início do Século 20 como "Ponte Grande" - se ergueu, pelos braços do povo, o que se teve como "Primeiro Estádio Corinthiano".
O verso "teu passado é uma bandeira, teu presente é uma lição", então, naquele espaço, naquele instante, com aquela massa e aqueles cantos, conseguiu costurar uma relação perfeita entre 1916 (e a conquista de um local físico nesta cidade cheia de ordens) com 2012 (e a conquista de um mundo perdido entre tantas ordens).

VAI CORINTIAS!










terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Em cinco anos.

Em Janeiro de 2008, não me recordo se no final ou se no fim, saiu o resultado do vestibular, e eu havia sido aprovado para cursar Ciências Sociais na Unesp da Marília. Ótimo! Na verdade era uma notícia excelente, liguei no rádio de casa um CD com o hino do Corintias e sai para comemorar, beber, vibrar etc.
É bem verdade que me mudei de cidade, entrei na faculdade e, pelo fato de ser um Corinthiano exacerbado, tão logo me tornei um pouco a piada da turma: disputaríamos a Série B, enfrentaríamos o time de Marília, o MAC. Porcos, 5ão Paulinos, Sardinhas e os próprios Maqueanos faziam piada com o Corinthiano fanático recém chegado às Ciências Sociais.
Em 2008 chegamos à final da Copa do Brasil, até a perdemos, mas já dava pra ver que coisas boas viriam pro Corintias. 
2009 chegou, Campeonato Paulista vencido de forma Invicta, Copa do Brasil com muita garra.
Passamos o Centenário em branco, perdemos uma Libertadores, mas não deixamos a peteca cair. Devo dizer, 2010 foi meu terceiro ano de faculdade, o mais difícil dos 5!
Em 2011 encerrei a licenciatura dois dias antes de nos sagrarmos Penta Brasileiros. 
E agora, em 2012, acabo de voltar da apresentação de meu TCC, que conclui formal e oficialmente a minha formação enquanto Bacharel em Ciências Sociais. 

Mas o que eu realmente tenho a dizer pra vocês?
Entrei na Faculdade às vésperas da estréia do Corintias na Série B, e concluo a Faculdade na véspera de nossa estréia no Mundial.

VAI CORINTIAS!


A Banca de Professores, que avaliou o trabalho e lhe conferiu a nota máxima: 10.
VAI CORINTIAS!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

"O mundial de 2000 não vale".

Sabe esse papinho de que "o Corinthians não é campeão Mundial"? "Aquilo que o Corinthians ganhou não era Mundial"? Ele não é tão novo quanto vocês acham não.


No princípio de sua história, à época da Fundação, em 1910, o Corinthians era um "Clube de Bairro", dos Trabalhadores do Bom Retiro. Começou a disputar partidas na várzea, perdeu uma, ganhou a segunda, a terceira, a quarta e, em pouco tempo,
 se tornou o "Galo Brigador das Várzeas", como o Filipe Martins Gonçalves bem indica em seus textos.

1913 chega e o Corinthians já havia conquistado todas as várzeas Paulistanas e até algumas pelo interior (Campinas, Jundiaí). Tendo ganhado tudo na várzea, restava querer entrar no Futebol Oficial: "vamos pleitear aquela vaga na Liga Paulista de Futebol", a liga que congregava o Futebol Oficial da época em São Paulo.
O Corinthians ganha o "torneio" que daria acesso à vaga, mas a validade desta conquista é questionada por alguns Clubes e diversos jornais da época: "como um time de trabalhadores do Bom Retiro poderá jogar contra nós em nosso campo de grama tão verde do Velódromo?", "como este time chega em nosso campo e derrota nossos clubes de famílias tradicionais?", "este clube não pode ter sido campeão de verdade".



Passam-se cento e muitos anos, e o mesmo discurso é mantido.