sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Isso não é piada com o Corintia, é preconceito social.

 Num sábado recente, em um evento de metal que teve no Cão Pererê (bar em que trabalho e no qual trabalhei neste dia específico vestindo uma camisa do Corintias) pude me encontrar com o mais cretino dos tipos de pessoa: o chato preconceituoso.
Inicialmente acreditei se tratar de mero brincalhão, e levei as primeiras tiradas “na esportiva”, brincando. Mas eu estava equivocado, e tão logo respondi à primeira e à segunda brincadeira, percebi que o cara não era, digamos, dos mais dotados de limite e respeito.
Veio dizendo que minha camisa enfeiava o bar, ao que respondi como já fiz noutras situações: “que nada, minha camisa é o ponto mais bonito desse bar”. Respondeu dizendo que tinha que ser uma camisa do Parmera: “mas esse é um bar de primeira meu amigo, não um botequim de segunda”, respondi.
E então a abordagem do cara começou a permear o xarope-escroto mesclado com o estúpido-repudiante e o preconceituoso-vulgar.
Veio com papos de que eu deveria levar uma surra em vez de estar trabalhando lá. Veio com papos de que eu não deveria estar vendendo cervejas, mas sim catando latinhas na rua. Veio com papos de que “todo Corinthiano é submisso”, pois eu buscava as cervejas quando ele pedia e pagava. Veio com papos de que tinha que conferir o troco direito por que “corinthiano ou é puta ou é bandido” (nesse momento, me ausentei do bar por alguns minutos para evitar a concretização da necessidade de quebrar um dos cascos de cerveja do bar nele).
Quando voltei, veio com papos de que “olha só, ele não é analfabeto, sabe até escrever”, quando me viu fazendo anotações no caderno do bar. Veio com papos de que eu, por ser Corinthiano, não tinha o direito de dizer nada a ninguém no bar, inclusive que tínhamos de fechar.
Os preconceitos e os incômodos de um ser que realiza estas falas, sabemos, não são para com o Corinthians ou para com os Corinthianos, mas, sim, para com aqueles que tentam ganhar o pão-nosso-de-todo-dia catando latinhas. É para com aqueles que, por falta de oportunidade de estudo, não tiveram a possibilidade de se alfabetizar. Os preconceitos deste Porco são para com as prostitutas, os ladrões, os que são inferiorizados como ‘submissos’ em uma sociedade hierarquizada e opressora. E ele, de um jeitinho bem cretino, coloca tais preconceitos para fora disfarçados de “brincadeiras do futebol” – que de brincadeiras não têm nada e, menos ainda, tem algo de “do futebol”.
É cretinice social pura, das mais brabas e das mais perigosas.
Pergunto: até quando haverá idiotas com esses tipos de pensamento?


sexta-feira, 19 de julho de 2013

A Heresia deste Corinthiano.


Pisava as arquibancadas do Pacaembu com todo o respeito que aqueles degraus de cimento merecem. Não cantava, não erguia ou movia os punhos aos céus (como que ditando o ritmo para o Time em campo). Tampouco batia palmas: mantinha as mãos próximas à boca, e o olhar fixo no gramado.
"Não tem como evitar a tensão durante o jogo, sempre fico assim. É um nervosismo muito grande pra mim, por isso eu nunca tinha vindo ver jogo no Estádio".

A primeira vez que se entra no Pacaembu. 
A primeira vez que se vê o Time do Corinthians entrar no gramado que é testemunha viva da conquista do Título do Quarto Centenário. Aquele campo que era ainda a grama fresquinha do Título da Libertadores daquele 2012.
A primeira vez em que se é, ali mesmo, parte da massa Alvinegra (até então, apenas vista pela Televisão, pela Internet) durante os noventa minutos.

Tira as mãos de perto 
da boca pra lamentar 
o gol adversário.
             
                     Abre os braços 
                     pra celebrar o 
                     gol do empate.
                    
                                     Solta a garganta 
                                     pra comemorar 
                                     o gol da vitória.


O Corintias é Gigante, tão bem sabemos. 
A beleza das Corinthianas (que entendem de Corintias), enorme.
A Heresia deste Corinthiano, então, fora sem precedentes; talvez seja proporcionalmente inversa à grandiosidade da beleza da Corinthiana que entende de Corinthians.

VAI CORINTIAS!
VAI CORINTHIANS!





terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Invertendo a Ordem da cidade.

São Paulo é a cidade da ordem. Talvez, em sentindo mais amplo, a cidade "das ordens": da ordem positivista, da ordem capitalista, da ordem do dominó - aquela famosa imagem, das peças de dominó em pé, enfileiradas: caiu uma, caem todas.
São Paulo é a cidade da ordem em que as pessoas que querem ficar paradas em degrau das escadas elétricas permanecem à direita, e quem tem pressa, sobe com passos largos os degraus à esquerda. Ouse parar no lado esquerdo de alguma destas escadas rolantes, e verá os nomes que usarão para se referir você.
São Paulo é a cidade da ordem, em que se uma destas escadas elétricas em uma das principais estações de metrô quebra, rapidamente um aglomerado desordenado se forma na estação, e tumultua embarques e desembarques.
São Paulo é a cidade que nasceu com ordem restrita, ordens de Vila, e cresceu, cresceu, cresceu... Ser um ponto estratégico entre o interior e o litoral fez com que crescesse mais, e mais, até ser referida nos dias atuais como "maior cidade do Brasil" e "coração financeira da América do Sul", e por ai vai.
São Paulo é a cidade em que foi fundado o Corintias, por um grupo de trabalhadores, em 1910 - quando a cidade ainda não era esse monstro que conhecemos hoje, e já deixava de ser a Vila de São Paulo de Piratininga. Esse clube, o Sport Club Corinthians Paulista, também cresceu e cresceu, também se enfileirou um pouco (é verdade) nas "ordens". Foi então que hoje (18 de Dezembro de 2012), em razão do time de futebol profissional deste clube ter conquistado o Mundial de Clubes, toda a ordem correu Tietê abaixo, para que (talvez vindo do Tamanduateí, que deságua neste Tietê) emergisse outra ordem: a ordem da festa!

São Paulo é a cidade que parou no dia 18 de Dezembro de 2012, pois o Sport Club Corinthians Paulista conquistou, com os pés, a cabeça e as mãos, pela 2ª vez, algo digno de se fazer uma festa de parar o mundo - ou, pelo menos, uma das maiores cidades do mundo.

***

Ao cruzarmos o Rio Tietê passando pela Ponte das Bandeiras, me recordei que naquele mesmo espaço da cidade - referido no início do Século 20 como "Ponte Grande" - se ergueu, pelos braços do povo, o que se teve como "Primeiro Estádio Corinthiano".
O verso "teu passado é uma bandeira, teu presente é uma lição", então, naquele espaço, naquele instante, com aquela massa e aqueles cantos, conseguiu costurar uma relação perfeita entre 1916 (e a conquista de um local físico nesta cidade cheia de ordens) com 2012 (e a conquista de um mundo perdido entre tantas ordens).

VAI CORINTIAS!










terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Em cinco anos.

Em Janeiro de 2008, não me recordo se no final ou se no fim, saiu o resultado do vestibular, e eu havia sido aprovado para cursar Ciências Sociais na Unesp da Marília. Ótimo! Na verdade era uma notícia excelente, liguei no rádio de casa um CD com o hino do Corintias e sai para comemorar, beber, vibrar etc.
É bem verdade que me mudei de cidade, entrei na faculdade e, pelo fato de ser um Corinthiano exacerbado, tão logo me tornei um pouco a piada da turma: disputaríamos a Série B, enfrentaríamos o time de Marília, o MAC. Porcos, 5ão Paulinos, Sardinhas e os próprios Maqueanos faziam piada com o Corinthiano fanático recém chegado às Ciências Sociais.
Em 2008 chegamos à final da Copa do Brasil, até a perdemos, mas já dava pra ver que coisas boas viriam pro Corintias. 
2009 chegou, Campeonato Paulista vencido de forma Invicta, Copa do Brasil com muita garra.
Passamos o Centenário em branco, perdemos uma Libertadores, mas não deixamos a peteca cair. Devo dizer, 2010 foi meu terceiro ano de faculdade, o mais difícil dos 5!
Em 2011 encerrei a licenciatura dois dias antes de nos sagrarmos Penta Brasileiros. 
E agora, em 2012, acabo de voltar da apresentação de meu TCC, que conclui formal e oficialmente a minha formação enquanto Bacharel em Ciências Sociais. 

Mas o que eu realmente tenho a dizer pra vocês?
Entrei na Faculdade às vésperas da estréia do Corintias na Série B, e concluo a Faculdade na véspera de nossa estréia no Mundial.

VAI CORINTIAS!


A Banca de Professores, que avaliou o trabalho e lhe conferiu a nota máxima: 10.
VAI CORINTIAS!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

"O mundial de 2000 não vale".

Sabe esse papinho de que "o Corinthians não é campeão Mundial"? "Aquilo que o Corinthians ganhou não era Mundial"? Ele não é tão novo quanto vocês acham não.


No princípio de sua história, à época da Fundação, em 1910, o Corinthians era um "Clube de Bairro", dos Trabalhadores do Bom Retiro. Começou a disputar partidas na várzea, perdeu uma, ganhou a segunda, a terceira, a quarta e, em pouco tempo,
 se tornou o "Galo Brigador das Várzeas", como o Filipe Martins Gonçalves bem indica em seus textos.

1913 chega e o Corinthians já havia conquistado todas as várzeas Paulistanas e até algumas pelo interior (Campinas, Jundiaí). Tendo ganhado tudo na várzea, restava querer entrar no Futebol Oficial: "vamos pleitear aquela vaga na Liga Paulista de Futebol", a liga que congregava o Futebol Oficial da época em São Paulo.
O Corinthians ganha o "torneio" que daria acesso à vaga, mas a validade desta conquista é questionada por alguns Clubes e diversos jornais da época: "como um time de trabalhadores do Bom Retiro poderá jogar contra nós em nosso campo de grama tão verde do Velódromo?", "como este time chega em nosso campo e derrota nossos clubes de famílias tradicionais?", "este clube não pode ter sido campeão de verdade".



Passam-se cento e muitos anos, e o mesmo discurso é mantido.




terça-feira, 10 de julho de 2012

Vencemos, e agora?

Há algum tempo atrás, um ou dois dias antes da conquista do quinto Campeonato Brasileiro, alguém (realmente não me lembro quem) me perguntou: "Coiso, quanto tempo dura a alegria pela conquista de um título?", de pronto, eu não soube responder. A pessoa, ironicamente sugeriu: "uma hora, duas, três? Um dia ou dois?". Respondi com outra pergunta: "quanto tempo dura a tua vida?", e o diálogo se encerrou. 
Não sei dizer "quanto tempo dura a alegria por um título", talvez por que a alegria não seja 'um título', mas sim uma história, construções, repletas de histórias, pessoas, lugares, passagens e, claro, títulos. Não faz sentido querer mensurar essa alegria; é alegria, e ponto.
Para alguns jornalistas/eiros termos conquistado essa tal Libertadores da América (que eles sempre disseram ter um sabor especial) vai "desvalorizar a competição", ou seja: será que o sabor vai acabar? Será que somos tão grandes assim a ponto da nossa alegria acabar com o luxo e valor de uma competição que eles sempre lustraram com óleos de peroba? 
O meu pai, que do ano passado para cá tem pegado no meu pé com "a minha forma de encarar o Corintias", nem comemorou tanto assim o título, para ele "é a primeira de muitas", não precisa comemorar 'desse jeito'. Ele também acha que a emoção que ele me viu saborear em casa ao lado da minha mae, bem como, as centenas de Corinthianos que vimos chorando pela televisão, é um exagero, algo desmedido. 
(Temos sorte da pergunta "quanto tempo dura a alegria pela conquista de um título?" não ter sido feita a ele, a resposta - que eu presenciei na prática - não foi nada empolgante).

A Anti Corinthianada decretou que tínhamos que vencer, muitos comemoraram a conquista se virando mais a eles do que a nós - me impressionou a quantidade de material que circulou pelas redes sociais em que "chupa antis" vinha em maior tamanho do que "Aqui é Corinthians" - mas muitos também comemoraram por nós, comemoraram pela história, pela construção, pelas pessoas, lugares etc, etc.

Talvez, a alegria por um título dure enquanto durar a certeza da nossa participação na história...

Vencemos, e agora? Agora comemora!
Celebremos o Corintias!
 
                                                                            ***

Assisti ao jogo na casa dos meus pais, na região da Freguesia do Ó, após vermos - pela TV - os jogadores receberem a taça e as medalhas, nos deslocamos para o Largo da Matriz, tradicional praça para comemorações de títulos futebolísticos - é tradição: "ver erguer a Taça, e subir para a Praça". Porém, esta recebeu um cordão de isolamento formado por PM's em sua entrada principal. Os Corinthianos que, por hábito e tradição, se deslocaram de suas casa até lá, eram recebidos por policiais nada amistosos. O jeito, então, foi nos concentrarmos em um cruzamento próximo dali, em frente a um colégio e alguns bares.
Passado um tempo, dois policiais passaram por ali de moto, passaram e retornaram. No retorno, borrifaram spray de pimenta em um dos grupos de Corinthianos, o que ocasionou a saída de muita gente dali. Meu pai, bravo com a situação, disse que voltaria para casa e decidi o acompanhar. 
Foi então que presenciamos mais um espetáculo da PM paulista: descer o porrete em um grupo que discutia à calçada, e gerar uma briga e um tumulto enormes, desnecessários e que provocaram, por fim, o fim de uma festa que poderia ser tão bonita...
Abaixo, algumas fotos de quando pudemos festejar:






































terça-feira, 3 de julho de 2012

A todos que estiverem no Pacaembu.

Hoje estava nas Perdizes, participando de um congresso, e deveria ir ao Museu do Futebol, logo, teria de caminhar até o Pacaembu. Meus intuitos com esta movimentação eram estudiosos (a mostra de filmes antropológicos sobre futebol). 
Eram.
Logo que cheguei sob os Arcos do Portão Principal, notei que o mesmo estava aberto para observação do Estádio, e julguei por bem entrar para deixar algumas boas energias minhas por ali, para o jogo que ocorreria 30 horas adiante.
Mais ou menos uma duzia de pessoas estavam apoiadas na grade que delimitava o espaço da visitação (no vão de entrada se alongando até a segunda escadinha das arquibancadas verdes, ficando a uns 4 metros do alambrado), apenas eu e outro não vestíamos camisas do Corintias. Estávamos todos apoiados na grade observando o gramado, as arquibancadas vazias, pessoas trabalhando com cabos, limpando o Estádio, preparando câmeras, catracas, montando o 'pódio' etc.
Conversei com um e outro sobre preços de ingressos e estar ali para fazer orações e coisas do gênero, e percebi que havia passado uma hora ali, apoiado na grade. Notei que os filmes já iam começar, e me arrumei para sair do Pacaembu.
Após três ou quatro passos, estava de frente para a saída do Estádio, parei, fechei os olhos e olhei para cima, apenas os abri pois as lágrimas pediam passagem: naqueles instantes de olhos fechados lembrei-me de tantos momentos no Pacaembu, de tantas pessoas com quem assisti jogos, de tantos jogadores que aplaudi e xinguei, de tantos placares que me fizeram vibrar etc.

Por isso estou escrevendo este texto, ele é dedicado a todos vocês que amanhã estarão no Pacaembu, embora seja redundante, ele é um pedido a todos vocês:
Gritem por mim;
Gritem por meu pai, responsável pelas minhas primeiras idas ao Pacaembu;
Gritem pelo pai do meu pai, que faleceu a três meses, e estava - junto de meu pai - de mãos dadas comigo na primeira vez em que passei pelos Arcos do Pacaembu;
Gritem pela minha mãe, que já encarou tempestades e insolações (literalmente) para que pudéssemos estar em um jogo.
Gritem por todos nós que não estaremos no Pacaembu!

VAI CORINTIAS!