segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Quando é o Corintia, sempre vale menos.


Eu já escrevi sobre isso aqui, e se vocês derem uma procurada por aí encontrarão gente mais gabaritada escrevendo com maior propriedade sobre este mesmo assunto. 
Por que quando é o Corintia, sempre vale menos? Os adversários menosprezam e criam explicações extra campo de jogo para justificar que "não valeu" - "ah mas aquele lateral invertido", "ah mas no horário do jogo tinha sol", "ah mas a regra da FIFA não importa". 
Os sabichões da imprensa, rapidinho, como bagre esfomeado ao ver migalha de pão em anzol, mordem a isca e replicam os argumentos: "de fato, não valeu, não valeu, não valeu, não valeu". Criam um mantra e o repetem ao longo de meses, para, no fim do certame, cravarem uma verdade baseada em suas próprias palavras: "nós passamos meses falando que não valeu, então é claro que não valeu, nós falamos que não valeu, e se nós falamos está dito: não valeu". 
A construção dessa noção, com tons de verdade inquestionável, de que quando é o Corintia, sempre vale menos, ocorre rapidamente. Já está cristalizada, e por vezes vem antes mesmo do Corinthians jogar, já não valeu, ou valeu menos.
"O Corinthians ganhou, bom, vamos ver como desqualificar tal conquista". "O Corinthians vai entrar em campo, bom, vamos ver como desqualificar essa entrada". "O Corinthians existe, bom, vamos ver como desqualificar essa existência".
Não basta para o argumento do texto dizer que foi o clube dos trabalhadores que atazanou a vida da elitezinha paulistana, dando um jeito de entrar na liga oficial e distribuindo sapatadas e mais sapatadas entre a minoria rica. "Como podem esses pintores de parede e sapateiros serem mais ávidos no desporto do que os nossos meninos recém formados em direito na London School?".
Seria um retorno muito extenso na história. Podemos pegar outros exemplos: "ah mas como o primeiro campeão mundial reconhecido pela FIFA não é o meu clube?", "ah mas se fosse o Barcelona e não o Chelsea...", "ah mas o juiz havia dado 3 minutos de acréscimo, e vocês marcaram o gol com 47:45". "Ah mas no outro jogo não deram um pênalti igual mas a regra diz que tem que dar pênalti assim mas errado foi o sujeito que deu o pênalti seguindo a regra, e não o outro que não seguiu a regra, pois o primeiro deu o pênalti pro Corinthians". 
A lógica, por vezes, que me perdoem tais equinos, é burra.
Passam-se os anos, já são dez décadas e meia, e o discurso não muda. Mudam-se os meios de comunicação, a tecnologia é atualizada, a ciência se reinventa, a cidade tem seus limites ampliados, e o discurso não muda. 
Não muda e não mudará, pois essa rapaziada, que já vestiu tantas camisas diferentes no intuito de desqualificar o Corinthians, já está anestesiada pelo prazer da dor. A dor de ter como único prazer desqualificar conquistas inquestionáveis de um clube e uma torcida que se acostumaram a estes questionamentos, e se acostumaram a dar de ombros e seguir em frente. Há coisas maiores por conquistar.


quinta-feira, 14 de maio de 2015

Sem motivos pra chorar.


Conheci o prazer de comemorar um título em agosto de 1995, e a aprendizagem foi em dose dupla, com um Paulistão e uma Copa do Brasil com poucos dias de intervalo. Recordo-me mais do Paulistão, assistindo o jogo em casa e o comemorando na calçada da frente. Aquele caminhão de feira repleto de corintianos que parou na rua de casa me embasbacou e envolveu para toda a vida.
Na mesma medida, conheci os desprazeres de uma eliminação no ano seguinte, com aquele 3x0 (ou 3x1, não lembro) para o Grêmio no Pacaembu, pela Libertadores da América. Ainda não entendia o que era a América, quem eram os Libertadores desta e tampouco o significado daquele campeonato. Entendi que o Corinthians perdeu feio e que estávamos fora, o que me fez chorar. Alguns dias depois meu pai me viu usando uma meia do Corinthians, e repetia para mim: “vexame, timinho sem vergonha”, e como isso me marcou.
Me recordo do Paulistão de 1998, perdido para o São Paulo, em que no dia seguinte fui para o treino do time de futebol da escola com um lenço do Corinthians na cabeça. Os rivais riam de mim no treino, mas não tirei o lenço da cabeça. Já havia chorado em casa no dia anterior, e não sei ao certo por que fui para a escola com tal lenço.
Os anos foram seguindo, vitórias eram conquistadas, e derrotas também estavam no caminho, umas mais traumáticas, outras menos. Recordo-me de chorar em casa e na escola após aquelas Libertadores em 1999 e 2000. A Copa do Brasil em 2001, após o terceiro gol do Grêmio (de novo o Grêmio), subi a escada de casa chorando, tirei minha camisa do Corinthians e a joguei no cesto de lavar roupas no banheiro, lancei o corpo na cama e chorei com a cara no travesseiro, de onde ouvia meu pai xingando os vizinhos rivales da janela da sala. Eu tinha certeza que o Corinthians conquistaria aquele título.
Até ao perdermos uma semi final de Paulistão para o Ituano, em 2002, jogando com o time reserva, após os títulos do Rio São Paulo e da Copa do Brasil, me pus a chorar. Foi um Paulistão estranho: times do interior jogando entre eles e os dois melhores dentre os ‘grandes’ no Rio São Paulo entrando para as semi finais. Ainda neste ano, mais lágrimas rolaram quando o Brasileirão passou por entre os dedos, encerrando o jejum do Santos.
Libertadores de 2003 e 2006, contra o River, motivos para choro intenso e pedidos para minha mãe de faltar na escola, o primeiro recusado, o segundo aceito. Até quando Roger derrubou a lua, e o técnico Passarela, isolando uma bola contra o Figueirense eu chorei – já conseguia distinguir o que era tristeza do que era ódio e raiva, e naquele dia foi um misto de raiva com chateação.
Quando chegou o rebaixamento, em 2007, meu pai abriu um vinho qualquer que tinha em casa, me deu um, dois, três copos, e nada da choradeira parar. Achei que nunca mais choraria em derrotas corinthianas, que aquilo era o limite e havia criado uma casca, bem rígida, em mim. Quando perdemos a final da Copa do Brasil de 2008 para o Sport, vi que não, e que isso seria algo para a vida inteira: assim que o juiz apitou o final do jogo, sai da sala onde estava com os colegas alvinegros, me sentei em um canto no quarto escuro e chorei, novamente.
Libertadores 2010, que foi uma das piores noites da minha vida, por conta de todo extra campo que ocorreu ali. Brasileirão 2010, o campeonato mais ganho desperdiçado pelo Corinthians também recebeu sua dose de lágrimas. Até quando perdemos para o Tolima, em 2011, a tristeza superou a raiva e eu fui às lágrimas, sozinho em meu apartamento. 
Aquele Paulistão de 2012, que para muitos foi uma ‘troca’ pelos títulos que vieram naquele ano, para mim foi só mais um domingo cinza pra ficar assistindo a chuva, e chorando. Contra o Boca, em 2013, o mesmo papo da Libertadores de 2010: era tanta desgraça ocorrendo na vida, que o choro foi um combo de tristezas, potencializadas por mais uma eliminação. 
Ontem, enfim, aconteceu o que eu havia previsto em 2007, e sobre o que eu havia entendido em 2006 e que eu não fazia ideia, em 1998, que poderia acontecer: eu não chorei. Não houve tristeza, não houve chateação que fizessem com que as lágrimas rolassem. Não havia motivos para chorar.
Algumas semanas atrás houve, quando saí de Itaquera após perder um Paulista para o Palmeiras. Um Paulista para o Palmeiras! Meu deus, foi em um paulista contra o Palmeiras que eu aprendi a me envolver com isso tudo, como menosprezar aquela derrota? Me sentia sem rumo após a partida, e ali ainda respirava raiva e tristeza, absorvidas sob a forma de lágrimas pela camiseta que eu tinha em mãos.

Ontem não, ontem só teve raiva, só teve ódio, só teve vergonha. Não teve choro algum, não teve motivação alguma em campo que merecesse lágrimas. E hoje consigo apenas repetir a frase que meu pai falava dezenove anos atrás: “vexame, timinho sem vergonha”, pois foi isso o que aconteceu.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Torcida Unica: uma solução para qualquer outro problema.


Desde ontem está pipocando por ai a notícia de que o grande Dérbi Paulista, Corinthians x Palmeiras do próximo domingo (08/02), ocorrerá com “torcida unica”. Isto é, apenas a torcida do Palmeiras, clube mandante da partida, terá acesso ao estádio.
O jogo será o primeiro Dérbi no Allianz Parque, mesmo endereço do Parque Antártica ou Palestra Itália. Aliás, segundo o site Pelejas o último confronto entre Palmeiras x Corinthians realizado no naquele local ocorreu em 1976, em partida que acabou empatada em 1x1, válida pelo Torneio Governador do Estado. Agora com um novo Estádio, no melhor estilo das Arenas ultra-modernas, o clássico voltaria a ser disputado na casa Palestrina.
O Palmeirense estava louco para tirar sarro do Corinthiano dentro de sua casa. O Corinthiano estava louco para ver o seu time aprontar na casa do rival. Mas não será desta vez - e a considerar o parecer do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), isso demorará para ocorrer.
Segundo a Federação Paulista de Futebol (FPF) e o MP-SP a medida visa garantir a segurança e a paz entre os torcedores no estádio. A justificativa para tal são as recentes brigas envolvendo torcedores de ambas as equipes, alguns destes confrontos, inclusive, com mortes entre os envolvidos.
Considerando esta justificativa para a tomada da decisão, procurei algumas notícias sobre brigas recentes entre alvinegros e alviverdes, encontrei três.
Na madrugada de 28 de agosto de 2011, um domingo, em que Palmeiras x Corinthians se enfrentaram em Presidente Prudente (a mais de 550 km da cidade de São Paulo), uma briga na Marginal Tietê, na zona norte de São Paulo, entre torcedores de Corinthians e Palmeiras, resultou na morte de um indivíduo.
No dia 25 de março de 2012 Corinthians x Palmeiras jogaram no Pacaembu, em partida válida pelo Campeonato Paulista, com pontapé inicial realizado às 16 horas. As 10 horas da manhã daquele domingo, na Avenida Inajar de Souza (há 9 kms do local do jogo), uma briga envolvendo centenas de torcedores dos dois times resultou na morte de dois indivíduos.
Na manhã do dia 17 de Agosto de 2014, um domingo, em que o Palmeiras jogou contra o São Paulo no Estádio do Pacaembu, e o Corinthians não jogaria, uma briga na Estação Franco da Rocha (a cerca de 40 kms do Estádio) deixou um torcedor gravemente ferido, ele faleceu três dias após o confronto.

Tirar da “torcida visitante” o direito de estar no campo de jogo para assistir à partida e torcer pelo seu clube, tendo como justificativa garantir a segurança no local do jogo, é um tanto quanto questionável. Há anos não ocorrem confrontos entre torcedores de Palmeiras e Corinthians dentro ou nos arredores dos estádios.
Em minhas andanças por ai, conversando com torcedores, não só de Corinthians e Palmeiras, como de outros times, é frequente ouvir que em dia de clássico muitos dos que se envolvem em briga não vão pro jogo.
O MP-SP e a Polícia Militar do Estado de São Paulo - esta última, que se gaba por manter policiais infiltrados nas torcidas paulistas - com certeza sabem que a medida da “torcida única” no Dérbi é a solução pra qualquer outro problema, menos para a possibilidade de encontros e brigas: sejam honestos e arrumem outra justificativa.



terça-feira, 23 de dezembro de 2014

23 de Dezembro de 1998.


Na data do título deste texto fazia apenas três anos que eu me via como Corinthiano. Na verdade, eu não entendia ao certo o que 'ser Corinthiano' queria dizer. Eu assistia aos jogos pela TV (às vezes os ouvia pelo rádio) com meus pais, às vezes saía na rua com as duas ou três camisas que eu tinha, e era isso. Ser Corinthiano era dizer, na escola e no clube, "Corinthians" quando me perguntavam "pra que time você torce?". 

Mas então veio o ano de 1998. Lembro-me que após a derrota do Brasil para a França na Copa do Mundo o Corinthians venceu o primeiro jogo do Brasileirão, contra o Vasco, por um a zero, no Maracanã, e eu fiquei na janela de casa com minha bandeira na mão. Minha expectativa era de que houvesse festa na rua como eu havia visto em 6 dos 7 jogos do Brasil naquela Copa. Mas ela não ocorreu.
Chegamos nas semi finais, contra o Santos, e o gol do Gamarra, em plena Vila Belmiro, foi um dos primeiros que comemoramos em casa com o nosso cachorro Fluck, recém adotado, latindo desesperadamente entre nossos gritos, cornetadas e abraços. Até o Mundial de 2012, ele uivou conosco em muitos gols, conquistas e derrotas.
E então chegou o dia 23 de Dezembro de 1998. Lembro que chovia bastante em São Paulo naquela tarde, o Corinthians jogou a final contra o Cruzeiro e se sagrou campeão com um esplêndido 2x0. 
Quando o jogo acabou eu queria (por que queria) ir na 'praça' comemorar. A praça é o Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó, um ponto relevante quando pensamos na Freguesia do Ó (bairro em que cresci e moro, novamente, neste meu retorno a São Paulo).
Sempre soube (sobretudo após a Copa do Mundo) que era na 'Matriz' que os torcedores do bairro e da região iam comemorar os títulos, mas meus pais nunca haviam me levado lá. Até que naquele dia cederam aos meus pedidos, e me levaram lá, com uma série de condições, uma delas a de que veríamos tudo 'de longe'.
Meu pai e minha mãe foram comigo para a praça. Logo que chegamos lá nos deparamos com uma grande quantidade de torcedores, com bandeiras, fogos e batuques. Fechavam uma das ruas laterais à praça. 
Nós estávamos parados, assistindo à festa - não dava pra dizer que participávamos dela, visto a distância que estávamos da rapaziada - quando ocorreu uma situação que me marcou. 
Uma casa lateral à praça passava por obras, e a frente dela havia uma dessas caçambas para despejo de entulho. Alguns torcedores começaram a tirar e jogar na rua os entulhos que estavam dentro da caçamba. Meu pai, temeroso ao ver tijolos e pedras sendo tirados, orientou que nos afastássemos mais ainda. Assim que vazia, a caçamba foi virada por alguns torcedores que, em seguida, subiram nela. Do alto da caçamba, balançavam bandeiras e acendiam rojões. Houve um rapaz, ainda, que aproveitou a altura para amarrar uma bandeira do Corinthians na grade da janela da casa em obras.
Depois de um tempo por ali saímos, fomos ao shopping, vizinho ao estádio do rival, mas eu fui autorizado a continuar comemorando, e ir aquele shopping ainda vestido de minha camisa do Corinthians. 

Ontem esse momento completou 16 anos, e eu ainda me pego lembrando daqueles torcedores virando a caçamba, e como aquela pequena transgressão marcou minha trajetória na vida e, com certeza, influenciou minhas pequenas transgressões em títulos do Corinthians. Como aquela primeira festa, que eu vi mais de perto, me motivou a querer entender, tanto as pequenas transgressões, quanto as formas de torcer que este esporte maravilhoso que é o futebol movimenta. 


domingo, 31 de agosto de 2014

"Daria a vida a você, Timão".


No samba enredo de 2010 dos Gaviões da Fiel, intitulado "Corinthians... Minha vida, minha história, meu amor", um verso sempre me chamou a atenção: "daria a vida a você Timão, manter acesa a luz do lampião, pra te eternizar", e eu gostaria de refletir sobre ele neste Primeiro de Setembro de 2014, aniversário de 104 anos do glorioso Sport Club Corinthians Paulista. 
De que modo nós, Corinthianos do século 21, poderíamos dar a vida a você, Timão, e mantermos acesa a luz daquele lampião, da Rua dos Imigrantes? 

Me lembro de quando era garoto, e meu grande sonho (como de muitos garotos) era o de "ser jogador de futebol e jogar no Corinthians". Não tardei em perceber que isso não ocorreria, a grosseria de meus pés no trato com a bola impedia qualquer possibilidade disso acontecer.
Cresci, sigo crescendo. Dar a vida ao Corinthians com a bola nos pés não foi possível, então, vivo uma vida por ti Corinthians, uma vida por ti, Luz do Lampião, do modo que encontrei e acho correto.
Me formei cientista social, e, como dissera Menotti del Picchia à época da "Semana de 1922", "o Corinthians é um fenômeno sociológico a ser estudado em profundidade", eu estudo o Corinthians. Estudo Corinthianos e Corinthianas que dão a vida ao Corinthians do modo como lhes é possível (e às vezes até impossível): moldando todos os horários da semana para estar perto do time, frequentando o clube, perdendo um emprego em nome daquele jogo fora de casa, sendo sócio de uma organizada e lavando chão de sede (onde centenas de torcedores se encontrarão antes do jogo), escapando mais cedo do trabalho por que o horário do jogo é ingrato, deixando de ir aos jogos por que o ingresso está caro... Peraí!
É nesse instante que paro, neste dia de festa, 104 anos de Corinthians, e me viro ao Lampião (cuja luz me parece um tanto quanto fraca): "Corinthiano não consegue pagar ingresso pra ver o próprio time, naquela que é dita como 'sua casa' por que o preço do ingresso é absurdamente caro?".
Como dar a vida ao Corinthians, manter acesa a luz do lampião, te eternizar (!), se nem ao menos é possível te ver jogar?
Corinthiano, Corinthiana, lutemos! 
Lembremos da compra da primeira bola do clube, descrita belamente em uma revista Placar de 1988: "para se comprar a primeira bola, uma lista percorreu por todo o bairro, pois era necessário 6 mil-réis para se adquirir o principal instrumento do time. E muitos foram os que se privaram de um cafezinho, de um refresco, de uma passagem de bonde, para ajudar o clube. De níquel em níquel foi-se juntando o dinheiro".
Junte, não os seus trocados, esperando o dia em que eles alcancem as altas somas cobradas por um ingresso. Junte-se aos seus comparsas de arquibancada, companheiros de vitórias e derrotas. Junte-se ao espírito coletivo, que abria mão de uma passagem de bonde, de um cafezinho para que eles pudessem jogar bola, para que nós tivéssemos um Corinthians hoje! Junte-se na crítica ao Corinthians de hoje, junte-se na briga por um Corinthians verdadeiramente popular! 
Se podemos, em pleno 2014, "dar a vida a você, Timão, te eternizar", é usando nossas vozes, nossas forças, nossas redes sociais para retomar "a luz do lampião" - ela está fraca, mas, sabemos, somos tão fortes para reacende-la.
Parafraseando aquele já tão antigo manifesto, e o colocando em diálogo com as palavras de Miguel Battaglia: "Corinthianos de todo mundo, uni-vos, pois o Corinthians vai ser o time do povo, e o povo é quem vai fazer o time"!

Obrigado Corinthians! Parabéns Corinthianos! Parabéns Corinthianas! O Corinthians somos nós!
Vai Corintia!


domingo, 16 de março de 2014

Fotos: Arena Corinthians (15/03/2014).


Algumas imagens que registrei ontem (15/03) durante o primeiro treino do Corinthians na Arena e, depois, no churrasco organizado por torcedores em frente a mesma.





















segunda-feira, 10 de março de 2014

O autógrafo que foi lavado.


O ano era 1998 e o Corinthians havia se classificado para a final do Campeonato Paulista. Gamarra, Gilmar Fubá, Silvinho, Marcelinho Carioca e companhia iriam em busca do bicampeonato estadual contra o 5ão Paulo.
Nessa época eu já enchia os pacova do pessoal de casa com um desejo claro: “quero ir num jogo do Corinthians”. O fascínio por ter estado no Pacaembu em um jogo de Juniores em 1995 já havia passado, o papo de que “estádio é um lugar muito violento pra levar criança” não colava mais e eu queria porque queria (vejo hoje, com toda razão neste meu querer) ir em um jogo do Corinthians.
Nessa época, ainda, os treinos cotidianos dos jogadores profissionais do Corinthians eram realizados no estádio Alfredo Schuring, dentro do Parque São Jorge, e eram (descobriram os meus pais) abertos à torcida. O que, diga-se de passagem, permitia um contato muito mais estreito entre jogadores, sócios do clube e torcedores em geral – a quem será que interessa o refúgio em um centro de treinamento inacessível à sócios e torcida?
Meus pais, então, bolaram um plano, se organizaram e, não querendo (ou não podendo, não sei) me levar a um dos jogos da final, tapearam minha vontade me levando à Fazendinha para assistir ao treino do sábado, véspera do primeiro jogo da final.
Não tenho muitas lembranças do treinamento em si, só os jogadores correndo ao redor do gramado (quando o Gilmar fez um positivo pra mim), a chegada de alguma torcida organizada (com batuques e bandeiras) e um momento muito esperado: o fim do treino, quando os jogadores se aproximariam do alambrado para dar autógrafos aos torcedores.
Havíamos levado uma camisa que eu tinha (pirata, simples, que era o que cabia no bolso e na vontade de vestir uma camisa do Corinthians) com esse intuito, de recolher nela algumas assinaturas.
Nem todos ficavam para este momento, é importante dizer. Os que ficavam eram solícitos e atenciosos. Lembro-me de interromper uma conversa do zagueiro Cris com um rapaz que vestia camisa dos Gaviões da Fiel para lhe pedir um autógrafo em minha camisa – que não estava vestida, mas na mão, para passar pelo alambrado. Ele a pegou, autografou, me devolveu e voltou a conversar com o rapaz.
Lembro que havia um grande aglomerado de pessoas em uma região específica do alambrado, pois, do outro lado deste, Marcelinho Carioca concedia, sem pressas, autógrafos. Meu pai me posicionou em um local distante da muvuca, orientou que eu não saísse de lá por nada, e se enfiou no meio daquele mundaréu de gente (que nem deveria ser tão grande assim, mas que, aos olhos do Gabriel de 9 anos, parecia gigante), e retornou de lá um tempo depois, trazendo em mãos minha camisa com uma assinatura em azul ao lado do símbolo do clube: “Marcelinho”, se lia na assinatura.
Além do Cris e do Marcelinho, Vanderlei Luxemburgo, técnico da equipe, e Didi, que se não me falha a memória fez as vezes de “talismã” nalgumas partidas daquele ano, também colocaram seu nome em minha camisa.
Durante anos esta camisa ficou sumida. Depois de anos ela reapareceu. E durante um outro grupo de anos, ela me era um troféu, mostrava para amigos que iam em casa, falava sobre ela quando era oportuno (ou nem tão oportuno assim). Certa vez tentei enquadrá-la, mas não deu certo. E decidi por bem a guardar em uma caixa junto com outras tantas camisas do Corinthians que já não me servem mais – não sei o que vocês fazem com as camisas que ficam pequenas, eu guardo, vai que um dia vem uma nova geração para vesti-las...
Porém, o motivo da escrita deste texto não é enaltecer esta tão histórica – para mim – camisa, mas sim comentar sobre a perda do “supertrunfo” em seu peito.
Nas confusões eminentes da minha mais recente mudança (a saída de uma casa em Marília, para duas em São Paulo) ela foi colocada para lavar juntamente com outras peças de roupa. E então, aquele traço contínuo e fino, que formava em letra de mão corrida, a palavra “Marcelinho” se foi pelo ciclo de lavagem de uma moderna máquina de lavar e centrifugar roupas.
A materialidade que comprova que um dia Marcelinho Carioca (ídolo de minha infância, cujo modo de comemorar gols tantas vezes imitei para celebrar aqueles que eu marcava) pegou uma camisa minha em suas mãos e imprimiu sobre ela o seu nome, a sua assinatura, a sua marca, não mais existe.

Deste fato material restam apenas as lembranças inocentes de um garoto cujos pais faziam o que podiam (entre a escassez financeira e os típicos problemas domésticos) para contemplar suas vontades de ser Corinthiano.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Naquela noite em que o meu coração parou.


Eu sei, não foi só o meu coração que parou. E, eu sei, essa metáfora só cai bem por que nossos corações pararam, e depois voltaram, explosivos, por ai.

Naquela época dividia a casa com um porco-não-praticante e um Corinthiano-ausente. O porco respeitava os momentos plenos de Corinthianismo que se faziam marcantes nas quartas, quintas, sábados e domingos daquela casa. O Corinthiano-ausente, esteve presente numa ou noutra destas situações.
Por se tratar do primeiro semestre de 2012 (havia omitido esse detalhe) sabemos: os momentos mais marcantes foram as noites de quarta feira. 
Foram 14 noites, 12 delas vividas nessa casa e na companhia do porco. E, na noite daquele segundo confronto contra o vasco, o meu, o seu, os nossos corações pararam quando o Alessandro deu todas as piadas envolvendo, até então, Corinthians e Libertadores, nos pés do Diego Souza, como quem diz: "vai lá Diego, faça essas piadas reinarem por mais um tempo".
Nesse momento, escorreguei do sofá para o chão da sala. Cássio desviou, e eu, aliviei. Respirado. Aliás, respirei aliviado. Escanteio pra eles e bola na trave.
"Créc", foi o som do coração parando. 
A pequena garrafa de cerveja foi deixada de lado. Esqueci que havia a opção de beber algo, ou mesmo que eu tinha boca pra beber, ou mesmo que eu tinha ou que eu existia. Eu só via.
Lembro, inclusive - e, sobretudo, com grande glória - do momento em que os caras vestindo um colete laranja por cima da roupa pularam as placas de propaganda e entraram no gramado e abraçaram o Paulinho.
Eu lembro que só entendi que o Corintias realmente havia marcado um gol, depois de alguns bons segundos da bola ter passado pelo goleiro deles e pelas traves e tocado as redes. Demorei pra entender. E demorei-me em gritar, aos berros, socando o chão duro de ardósia. E gritava para sentir que estava vivo novamente. E só fiz isso depois de ver os reservas entrando em campo.
Era uma noite fria, o corpo já estava aquecido em razão da cara cheia. Outro susto, no fim do jogo. Passou. Ufa.
"Vou pra rua".
O porco veio perguntar se tava tudo bem, se eu estava bem. "Vou pra rua". 
Ignorei o frio, ignorei qualquer destino que sabia devia seguir naquela noite, ignorei que havia uma manhã seguinte com obrigações e necessidade de presença noutro lugar. Abri a última cerveja da casa e fui pra rua. 
Ainda gritava, cantava, murmurava, berrava, um misto de tudo isso, não importa. 
Encontrei os pares Corinthianos já sentados nas cadeiras plásticas duma mesa plástica na calçada. Outros chegaram, a emoção era uma só. E todos (não eramos muitos) ainda estávamos eufóricos; e se não tinha chão de ardósia para socar, breves tapas na mesa absorviam a eletricidade ainda reinante em nossos corações recém parados e recém reativados.
"O bar vai fechar", "pô são paulino, desce a saidera pros Corintia ai, que que é isso".
"Não posso ir pra casa. Não agora, assim, desse jeito. Pelo Corintias, vou ficar na rua", resmunguei (certamente segurando o distintivo da camisa que eu vestia).
E fiquei, que nem aquela anedota, do macaco que vai de galho em galho, pra lá e pra cá. Eu nem imaginava que existiam fronhas do Corintias - depois descobri que havia também um kit de lençóis, mas isso foi depois - e então voltei pra casa. 
Chumbado, como a consciência do rapaz que perdeu o gol, que parou meu coração; extasiado, como a alma do rapaz que marcou o gol e reviveu meu coração. Caminhei para casa já acompanhado do sol nascente. Esquentei as mãos batendo uma contra a outra, marcando o ritmo para cantarolar a única melodia que podia ser cantada naquele amanhecer de bebedeira por ti Corintias: "salve o Corinthians, o campeão dos campeões...".


E foi assim que eu (sobre)vivi a noite do dia 23 de maio de 2012.


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Isso não é piada com o Corintia, é preconceito social.

 Num sábado recente, em um evento de metal que teve no Cão Pererê (bar em que trabalho e no qual trabalhei neste dia específico vestindo uma camisa do Corintias) pude me encontrar com o mais cretino dos tipos de pessoa: o chato preconceituoso.
Inicialmente acreditei se tratar de mero brincalhão, e levei as primeiras tiradas “na esportiva”, brincando. Mas eu estava equivocado, e tão logo respondi à primeira e à segunda brincadeira, percebi que o cara não era, digamos, dos mais dotados de limite e respeito.
Veio dizendo que minha camisa enfeiava o bar, ao que respondi como já fiz noutras situações: “que nada, minha camisa é o ponto mais bonito desse bar”. Respondeu dizendo que tinha que ser uma camisa do Parmera: “mas esse é um bar de primeira meu amigo, não um botequim de segunda”, respondi.
E então a abordagem do cara começou a permear o xarope-escroto mesclado com o estúpido-repudiante e o preconceituoso-vulgar.
Veio com papos de que eu deveria levar uma surra em vez de estar trabalhando lá. Veio com papos de que eu não deveria estar vendendo cervejas, mas sim catando latinhas na rua. Veio com papos de que “todo Corinthiano é submisso”, pois eu buscava as cervejas quando ele pedia e pagava. Veio com papos de que tinha que conferir o troco direito por que “corinthiano ou é puta ou é bandido” (nesse momento, me ausentei do bar por alguns minutos para evitar a concretização da necessidade de quebrar um dos cascos de cerveja do bar nele).
Quando voltei, veio com papos de que “olha só, ele não é analfabeto, sabe até escrever”, quando me viu fazendo anotações no caderno do bar. Veio com papos de que eu, por ser Corinthiano, não tinha o direito de dizer nada a ninguém no bar, inclusive que tínhamos de fechar.
Os preconceitos e os incômodos de um ser que realiza estas falas, sabemos, não são para com o Corinthians ou para com os Corinthianos, mas, sim, para com aqueles que tentam ganhar o pão-nosso-de-todo-dia catando latinhas. É para com aqueles que, por falta de oportunidade de estudo, não tiveram a possibilidade de se alfabetizar. Os preconceitos deste Porco são para com as prostitutas, os ladrões, os que são inferiorizados como ‘submissos’ em uma sociedade hierarquizada e opressora. E ele, de um jeitinho bem cretino, coloca tais preconceitos para fora disfarçados de “brincadeiras do futebol” – que de brincadeiras não têm nada e, menos ainda, tem algo de “do futebol”.
É cretinice social pura, das mais brabas e das mais perigosas.
Pergunto: até quando haverá idiotas com esses tipos de pensamento?


sexta-feira, 19 de julho de 2013

A Heresia deste Corinthiano.


Pisava as arquibancadas do Pacaembu com todo o respeito que aqueles degraus de cimento merecem. Não cantava, não erguia ou movia os punhos aos céus (como que ditando o ritmo para o Time em campo). Tampouco batia palmas: mantinha as mãos próximas à boca, e o olhar fixo no gramado.
"Não tem como evitar a tensão durante o jogo, sempre fico assim. É um nervosismo muito grande pra mim, por isso eu nunca tinha vindo ver jogo no Estádio".

A primeira vez que se entra no Pacaembu. 
A primeira vez que se vê o Time do Corinthians entrar no gramado que é testemunha viva da conquista do Título do Quarto Centenário. Aquele campo que era ainda a grama fresquinha do Título da Libertadores daquele 2012.
A primeira vez em que se é, ali mesmo, parte da massa Alvinegra (até então, apenas vista pela Televisão, pela Internet) durante os noventa minutos.

Tira as mãos de perto 
da boca pra lamentar 
o gol adversário.
             
                     Abre os braços 
                     pra celebrar o 
                     gol do empate.
                    
                                     Solta a garganta 
                                     pra comemorar 
                                     o gol da vitória.


O Corintias é Gigante, tão bem sabemos. 
A beleza das Corinthianas (que entendem de Corintias), enorme.
A Heresia deste Corinthiano, então, fora sem precedentes; talvez seja proporcionalmente inversa à grandiosidade da beleza da Corinthiana que entende de Corinthians.

VAI CORINTIAS!
VAI CORINTHIANS!





terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Invertendo a Ordem da cidade.

São Paulo é a cidade da ordem. Talvez, em sentindo mais amplo, a cidade "das ordens": da ordem positivista, da ordem capitalista, da ordem do dominó - aquela famosa imagem, das peças de dominó em pé, enfileiradas: caiu uma, caem todas.
São Paulo é a cidade da ordem em que as pessoas que querem ficar paradas em degrau das escadas elétricas permanecem à direita, e quem tem pressa, sobe com passos largos os degraus à esquerda. Ouse parar no lado esquerdo de alguma destas escadas rolantes, e verá os nomes que usarão para se referir você.
São Paulo é a cidade da ordem, em que se uma destas escadas elétricas em uma das principais estações de metrô quebra, rapidamente um aglomerado desordenado se forma na estação, e tumultua embarques e desembarques.
São Paulo é a cidade que nasceu com ordem restrita, ordens de Vila, e cresceu, cresceu, cresceu... Ser um ponto estratégico entre o interior e o litoral fez com que crescesse mais, e mais, até ser referida nos dias atuais como "maior cidade do Brasil" e "coração financeira da América do Sul", e por ai vai.
São Paulo é a cidade em que foi fundado o Corintias, por um grupo de trabalhadores, em 1910 - quando a cidade ainda não era esse monstro que conhecemos hoje, e já deixava de ser a Vila de São Paulo de Piratininga. Esse clube, o Sport Club Corinthians Paulista, também cresceu e cresceu, também se enfileirou um pouco (é verdade) nas "ordens". Foi então que hoje (18 de Dezembro de 2012), em razão do time de futebol profissional deste clube ter conquistado o Mundial de Clubes, toda a ordem correu Tietê abaixo, para que (talvez vindo do Tamanduateí, que deságua neste Tietê) emergisse outra ordem: a ordem da festa!

São Paulo é a cidade que parou no dia 18 de Dezembro de 2012, pois o Sport Club Corinthians Paulista conquistou, com os pés, a cabeça e as mãos, pela 2ª vez, algo digno de se fazer uma festa de parar o mundo - ou, pelo menos, uma das maiores cidades do mundo.

***

Ao cruzarmos o Rio Tietê passando pela Ponte das Bandeiras, me recordei que naquele mesmo espaço da cidade - referido no início do Século 20 como "Ponte Grande" - se ergueu, pelos braços do povo, o que se teve como "Primeiro Estádio Corinthiano".
O verso "teu passado é uma bandeira, teu presente é uma lição", então, naquele espaço, naquele instante, com aquela massa e aqueles cantos, conseguiu costurar uma relação perfeita entre 1916 (e a conquista de um local físico nesta cidade cheia de ordens) com 2012 (e a conquista de um mundo perdido entre tantas ordens).

VAI CORINTIAS!










terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Em cinco anos.

Em Janeiro de 2008, não me recordo se no final ou se no fim, saiu o resultado do vestibular, e eu havia sido aprovado para cursar Ciências Sociais na Unesp da Marília. Ótimo! Na verdade era uma notícia excelente, liguei no rádio de casa um CD com o hino do Corintias e sai para comemorar, beber, vibrar etc.
É bem verdade que me mudei de cidade, entrei na faculdade e, pelo fato de ser um Corinthiano exacerbado, tão logo me tornei um pouco a piada da turma: disputaríamos a Série B, enfrentaríamos o time de Marília, o MAC. Porcos, 5ão Paulinos, Sardinhas e os próprios Maqueanos faziam piada com o Corinthiano fanático recém chegado às Ciências Sociais.
Em 2008 chegamos à final da Copa do Brasil, até a perdemos, mas já dava pra ver que coisas boas viriam pro Corintias. 
2009 chegou, Campeonato Paulista vencido de forma Invicta, Copa do Brasil com muita garra.
Passamos o Centenário em branco, perdemos uma Libertadores, mas não deixamos a peteca cair. Devo dizer, 2010 foi meu terceiro ano de faculdade, o mais difícil dos 5!
Em 2011 encerrei a licenciatura dois dias antes de nos sagrarmos Penta Brasileiros. 
E agora, em 2012, acabo de voltar da apresentação de meu TCC, que conclui formal e oficialmente a minha formação enquanto Bacharel em Ciências Sociais. 

Mas o que eu realmente tenho a dizer pra vocês?
Entrei na Faculdade às vésperas da estréia do Corintias na Série B, e concluo a Faculdade na véspera de nossa estréia no Mundial.

VAI CORINTIAS!


A Banca de Professores, que avaliou o trabalho e lhe conferiu a nota máxima: 10.
VAI CORINTIAS!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

"O mundial de 2000 não vale".

Sabe esse papinho de que "o Corinthians não é campeão Mundial"? "Aquilo que o Corinthians ganhou não era Mundial"? Ele não é tão novo quanto vocês acham não.


No princípio de sua história, à época da Fundação, em 1910, o Corinthians era um "Clube de Bairro", dos Trabalhadores do Bom Retiro. Começou a disputar partidas na várzea, perdeu uma, ganhou a segunda, a terceira, a quarta e, em pouco tempo,
 se tornou o "Galo Brigador das Várzeas", como o Filipe Martins Gonçalves bem indica em seus textos.

1913 chega e o Corinthians já havia conquistado todas as várzeas Paulistanas e até algumas pelo interior (Campinas, Jundiaí). Tendo ganhado tudo na várzea, restava querer entrar no Futebol Oficial: "vamos pleitear aquela vaga na Liga Paulista de Futebol", a liga que congregava o Futebol Oficial da época em São Paulo.
O Corinthians ganha o "torneio" que daria acesso à vaga, mas a validade desta conquista é questionada por alguns Clubes e diversos jornais da época: "como um time de trabalhadores do Bom Retiro poderá jogar contra nós em nosso campo de grama tão verde do Velódromo?", "como este time chega em nosso campo e derrota nossos clubes de famílias tradicionais?", "este clube não pode ter sido campeão de verdade".



Passam-se cento e muitos anos, e o mesmo discurso é mantido.




terça-feira, 10 de julho de 2012

Vencemos, e agora?

Há algum tempo atrás, um ou dois dias antes da conquista do quinto Campeonato Brasileiro, alguém (realmente não me lembro quem) me perguntou: "Coiso, quanto tempo dura a alegria pela conquista de um título?", de pronto, eu não soube responder. A pessoa, ironicamente sugeriu: "uma hora, duas, três? Um dia ou dois?". Respondi com outra pergunta: "quanto tempo dura a tua vida?", e o diálogo se encerrou. 
Não sei dizer "quanto tempo dura a alegria por um título", talvez por que a alegria não seja 'um título', mas sim uma história, construções, repletas de histórias, pessoas, lugares, passagens e, claro, títulos. Não faz sentido querer mensurar essa alegria; é alegria, e ponto.
Para alguns jornalistas/eiros termos conquistado essa tal Libertadores da América (que eles sempre disseram ter um sabor especial) vai "desvalorizar a competição", ou seja: será que o sabor vai acabar? Será que somos tão grandes assim a ponto da nossa alegria acabar com o luxo e valor de uma competição que eles sempre lustraram com óleos de peroba? 
O meu pai, que do ano passado para cá tem pegado no meu pé com "a minha forma de encarar o Corintias", nem comemorou tanto assim o título, para ele "é a primeira de muitas", não precisa comemorar 'desse jeito'. Ele também acha que a emoção que ele me viu saborear em casa ao lado da minha mae, bem como, as centenas de Corinthianos que vimos chorando pela televisão, é um exagero, algo desmedido. 
(Temos sorte da pergunta "quanto tempo dura a alegria pela conquista de um título?" não ter sido feita a ele, a resposta - que eu presenciei na prática - não foi nada empolgante).

A Anti Corinthianada decretou que tínhamos que vencer, muitos comemoraram a conquista se virando mais a eles do que a nós - me impressionou a quantidade de material que circulou pelas redes sociais em que "chupa antis" vinha em maior tamanho do que "Aqui é Corinthians" - mas muitos também comemoraram por nós, comemoraram pela história, pela construção, pelas pessoas, lugares etc, etc.

Talvez, a alegria por um título dure enquanto durar a certeza da nossa participação na história...

Vencemos, e agora? Agora comemora!
Celebremos o Corintias!
 
                                                                            ***

Assisti ao jogo na casa dos meus pais, na região da Freguesia do Ó, após vermos - pela TV - os jogadores receberem a taça e as medalhas, nos deslocamos para o Largo da Matriz, tradicional praça para comemorações de títulos futebolísticos - é tradição: "ver erguer a Taça, e subir para a Praça". Porém, esta recebeu um cordão de isolamento formado por PM's em sua entrada principal. Os Corinthianos que, por hábito e tradição, se deslocaram de suas casa até lá, eram recebidos por policiais nada amistosos. O jeito, então, foi nos concentrarmos em um cruzamento próximo dali, em frente a um colégio e alguns bares.
Passado um tempo, dois policiais passaram por ali de moto, passaram e retornaram. No retorno, borrifaram spray de pimenta em um dos grupos de Corinthianos, o que ocasionou a saída de muita gente dali. Meu pai, bravo com a situação, disse que voltaria para casa e decidi o acompanhar. 
Foi então que presenciamos mais um espetáculo da PM paulista: descer o porrete em um grupo que discutia à calçada, e gerar uma briga e um tumulto enormes, desnecessários e que provocaram, por fim, o fim de uma festa que poderia ser tão bonita...
Abaixo, algumas fotos de quando pudemos festejar: