quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

"O mundial de 2000 não vale".

Sabe esse papinho de que "o Corinthians não é campeão Mundial"? "Aquilo que o Corinthians ganhou não era Mundial"? Ele não é tão novo quanto vocês acham não.


No princípio de sua história, à época da Fundação, em 1910, o Corinthians era um "Clube de Bairro", dos Trabalhadores do Bom Retiro. Começou a disputar partidas na várzea, perdeu uma, ganhou a segunda, a terceira, a quarta e, em pouco tempo,
 se tornou o "Galo Brigador das Várzeas", como o Filipe Martins Gonçalves bem indica em seus textos.

1913 chega e o Corinthians já havia conquistado todas as várzeas Paulistanas e até algumas pelo interior (Campinas, Jundiaí). Tendo ganhado tudo na várzea, restava querer entrar no Futebol Oficial: "vamos pleitear aquela vaga na Liga Paulista de Futebol", a liga que congregava o Futebol Oficial da época em São Paulo.
O Corinthians ganha o "torneio" que daria acesso à vaga, mas a validade desta conquista é questionada por alguns Clubes e diversos jornais da época: "como um time de trabalhadores do Bom Retiro poderá jogar contra nós em nosso campo de grama tão verde do Velódromo?", "como este time chega em nosso campo e derrota nossos clubes de famílias tradicionais?", "este clube não pode ter sido campeão de verdade".



Passam-se cento e muitos anos, e o mesmo discurso é mantido.




terça-feira, 10 de julho de 2012

Vencemos, e agora?

Há algum tempo atrás, um ou dois dias antes da conquista do quinto Campeonato Brasileiro, alguém (realmente não me lembro quem) me perguntou: "Coiso, quanto tempo dura a alegria pela conquista de um título?", de pronto, eu não soube responder. A pessoa, ironicamente sugeriu: "uma hora, duas, três? Um dia ou dois?". Respondi com outra pergunta: "quanto tempo dura a tua vida?", e o diálogo se encerrou. 
Não sei dizer "quanto tempo dura a alegria por um título", talvez por que a alegria não seja 'um título', mas sim uma história, construções, repletas de histórias, pessoas, lugares, passagens e, claro, títulos. Não faz sentido querer mensurar essa alegria; é alegria, e ponto.
Para alguns jornalistas/eiros termos conquistado essa tal Libertadores da América (que eles sempre disseram ter um sabor especial) vai "desvalorizar a competição", ou seja: será que o sabor vai acabar? Será que somos tão grandes assim a ponto da nossa alegria acabar com o luxo e valor de uma competição que eles sempre lustraram com óleos de peroba? 
O meu pai, que do ano passado para cá tem pegado no meu pé com "a minha forma de encarar o Corintias", nem comemorou tanto assim o título, para ele "é a primeira de muitas", não precisa comemorar 'desse jeito'. Ele também acha que a emoção que ele me viu saborear em casa ao lado da minha mae, bem como, as centenas de Corinthianos que vimos chorando pela televisão, é um exagero, algo desmedido. 
(Temos sorte da pergunta "quanto tempo dura a alegria pela conquista de um título?" não ter sido feita a ele, a resposta - que eu presenciei na prática - não foi nada empolgante).

A Anti Corinthianada decretou que tínhamos que vencer, muitos comemoraram a conquista se virando mais a eles do que a nós - me impressionou a quantidade de material que circulou pelas redes sociais em que "chupa antis" vinha em maior tamanho do que "Aqui é Corinthians" - mas muitos também comemoraram por nós, comemoraram pela história, pela construção, pelas pessoas, lugares etc, etc.

Talvez, a alegria por um título dure enquanto durar a certeza da nossa participação na história...

Vencemos, e agora? Agora comemora!
Celebremos o Corintias!
 
                                                                            ***

Assisti ao jogo na casa dos meus pais, na região da Freguesia do Ó, após vermos - pela TV - os jogadores receberem a taça e as medalhas, nos deslocamos para o Largo da Matriz, tradicional praça para comemorações de títulos futebolísticos - é tradição: "ver erguer a Taça, e subir para a Praça". Porém, esta recebeu um cordão de isolamento formado por PM's em sua entrada principal. Os Corinthianos que, por hábito e tradição, se deslocaram de suas casa até lá, eram recebidos por policiais nada amistosos. O jeito, então, foi nos concentrarmos em um cruzamento próximo dali, em frente a um colégio e alguns bares.
Passado um tempo, dois policiais passaram por ali de moto, passaram e retornaram. No retorno, borrifaram spray de pimenta em um dos grupos de Corinthianos, o que ocasionou a saída de muita gente dali. Meu pai, bravo com a situação, disse que voltaria para casa e decidi o acompanhar. 
Foi então que presenciamos mais um espetáculo da PM paulista: descer o porrete em um grupo que discutia à calçada, e gerar uma briga e um tumulto enormes, desnecessários e que provocaram, por fim, o fim de uma festa que poderia ser tão bonita...
Abaixo, algumas fotos de quando pudemos festejar:






































terça-feira, 3 de julho de 2012

A todos que estiverem no Pacaembu.

Hoje estava nas Perdizes, participando de um congresso, e deveria ir ao Museu do Futebol, logo, teria de caminhar até o Pacaembu. Meus intuitos com esta movimentação eram estudiosos (a mostra de filmes antropológicos sobre futebol). 
Eram.
Logo que cheguei sob os Arcos do Portão Principal, notei que o mesmo estava aberto para observação do Estádio, e julguei por bem entrar para deixar algumas boas energias minhas por ali, para o jogo que ocorreria 30 horas adiante.
Mais ou menos uma duzia de pessoas estavam apoiadas na grade que delimitava o espaço da visitação (no vão de entrada se alongando até a segunda escadinha das arquibancadas verdes, ficando a uns 4 metros do alambrado), apenas eu e outro não vestíamos camisas do Corintias. Estávamos todos apoiados na grade observando o gramado, as arquibancadas vazias, pessoas trabalhando com cabos, limpando o Estádio, preparando câmeras, catracas, montando o 'pódio' etc.
Conversei com um e outro sobre preços de ingressos e estar ali para fazer orações e coisas do gênero, e percebi que havia passado uma hora ali, apoiado na grade. Notei que os filmes já iam começar, e me arrumei para sair do Pacaembu.
Após três ou quatro passos, estava de frente para a saída do Estádio, parei, fechei os olhos e olhei para cima, apenas os abri pois as lágrimas pediam passagem: naqueles instantes de olhos fechados lembrei-me de tantos momentos no Pacaembu, de tantas pessoas com quem assisti jogos, de tantos jogadores que aplaudi e xinguei, de tantos placares que me fizeram vibrar etc.

Por isso estou escrevendo este texto, ele é dedicado a todos vocês que amanhã estarão no Pacaembu, embora seja redundante, ele é um pedido a todos vocês:
Gritem por mim;
Gritem por meu pai, responsável pelas minhas primeiras idas ao Pacaembu;
Gritem pelo pai do meu pai, que faleceu a três meses, e estava - junto de meu pai - de mãos dadas comigo na primeira vez em que passei pelos Arcos do Pacaembu;
Gritem pela minha mãe, que já encarou tempestades e insolações (literalmente) para que pudéssemos estar em um jogo.
Gritem por todos nós que não estaremos no Pacaembu!

VAI CORINTIAS!


terça-feira, 12 de junho de 2012

Vira pra lá e pra cá.

Cansado (de alma e mente) me deitei para dormir por volta das onze da noite, cedo.
Tão logo estava na horizontal, quieto e calado no silêncio de meu quarto, recordei-me do Gol de Paulinho no último jogo contra o vascu. O corpo todo arrepiou, lembrei-me da comemoração na sala de casa, dos pontapés no sofá e da alegria (e quizumba) que se criou e foi partilhada nas ruas da região naquela noite. Lembrei-me de atender o telefone ao fim da partida e ouvir minha mãe aos berros vibrando pela vitória, e de como berramos juntos AQUI É CORINTIAS CARALHO.
O corpo todo estremeceu, e constatei que dormir, naquela posição seria difícil. Então, virei pra lá.
Quando virei para lá, após o corpo se adaptar novamente ao colchão e a coberta já estar cobrindo plenamente este corpo, lembrei-me de outro fato.
O sôfrego zero a zero contra os porcos no começo do último Dezembro, que, combinado com outro empate, fez-me abrir a porta do apartamento em que morava, socar a porta do vizinho Corinthiano chamando-lhe para comemorar-mos juntos a conquista do Penta Campeonato Brasileiro. Lembrei-me da Avenida em Marília, tomada por Corinthianos e mais Corinthianos, festa, fogos, gritos etc.
Arrepio, tremedeira e virei pra cá, constatando que seria impossível dormir naquela situação.
E assim foi, até constatar que já era quase uma da manhã e não conseguiria dormir tão rapidamente.

É assim, desde a noite de 12 de Maio de 2001, véspera da semi final do Campeonato Paulista daquele ano contra a mesma sardinha que enfrentaremos amanhã.

E hoje, já prevejo outra noite infernal.
VAI CORINTIAS!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Por quê "Doutor Sócrates"?


Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, ou apenas Sócrates, apareceu para o Mundo em razão do que fazia com suas pernas finas e altas quando estava com a bola de futebol nos pés. Era um jovem rapaz alto e magro, que se tornou Doutor em Medicina no ano de 1977, realizando a formação na área ao mesmo tempo em que se profissionalizava como jogador de futebol.

Durante um período da Ditadura Militar (1964/1984) era, então, um estudante de medicina que se profissionalizava como jogador de futebol, respectivamente, pela USP de Ribeirão Preto e pelo Botafogo da mesma cidade. Na Universidade tinha relevante presença nas discussões e movimentações Estudantis.

Findado o período de estudos, em 1978 fora para a Capital do Estado de São Paulo, não para ser médico, e sim para defender as cores do Sport Club Corinthians Paulista. Conquistou o Bicampeonato Paulista em 1982/83, período em que encabeçou, juntamente com outros jogadores e sujeitos do Clube, o movimento conhecido como "Democracia Corinthiana", em que as decisões referentes ao Futebol Profissional do Clube eram decididas com votos iguais entre jogadores, comissão técnica, conselheiros, presidente etc.

O fim do Regime Militar era discutido amplamente entre os setores críticos da sociedade, e, com a movimentação de Sócrates indicada acima, a pauta se ampliou e alcançou as massas espectadoras do futebol. Não só a Torcida Corinthiana, como todo o público futebolístico Brasileiro. Sócrates nunca foi ídolo de uma só Torcida, sempre foi respeitado e ouvido por Grupos Torcedores das mais diversas cores e Estados, tanto que teve importante papel na popularização e ampliação das discussões para as "Diretas Já" em 1984.

Por que um grupo universitário com foco na atuação esportiva, artística e, em razão disso, cultural, homenagearia Sócrates, o "Doutor da Bola", em seu nome? Pois ele não era nem só Doutor, nem só Jogador, nem só um jovem politizado: era, expunha e brigava por tudo isso, tal qual estamos nos propondo a discutir aqui nesta Unesp de Marília.

"Arte, no futebol, nunca foi adjetivo",
Doutor Sócrates.

Texto que fiz para expôr ao corpo Discente da Unesp de Marília, explicando quem foi o homem que nomeia o Coletivo que surge dentro do Campus.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

"Histórico Timão".

Segundo dados que encontrei na popular Wikipédia, o narrado abaixo se passou no dia 24 de Maio de 2000. Precisos doze anos atrás.
Lembro-me que era uma manhã fria, e por cima de uma jaqueta comprada em uma loja no Bom Retiro eu vestia uma camisa do Corintia não original que havia sido presente de aniversário naquele ano. Como todos os dias durante 1999 e 2006, ia de carro para a escola com minha mãe, minha irmã e certamente uma ou outra pessoa a quem frequentemente dávamos carona. O longo trajeto da Freguesia do Ó até Pinheiros costumava ser chato, uma penitência.
Nas manhãs seguidas às vitórias do Corintias havia um pouco menos desta "chatice", a ansiedade por chegar na escola e cumprimentar os amigos Corinthianos, tirar um sarro dos rivais até animava. E a manhã do dia 24 de Maio de 2000, assim como desta mesma data em 2012 foi uma manhã vitoriosa, havíamos derrotado o Patético Mineiro por 2x1 na noite anterior e estávamos classificados para a semi final da Libertadores.
Quando minha mãe parou o carro no semáforo da Avenida Sumaré com a João Ramalho, olhei para o lado e vi um senhor, dono de uma banca de jornais, afixando na frente da mesma a edição do "Lance!" daquela manhã, e consegui ler claramente o escrito: "Histórico Timão".
Cheguei na escola e logo o jornal caiu em minhas mãos - algum colega o levava todos os dias. Recordo-me da matéria dizendo que era a primeira vez que o Corintias alcançava a etapa semi final da Libertadores, e lembro-me de ter pensado: "que legal, e eu estou vendo isso".
Compreendo hoje que tudo é Histórico, sobretudo quando estamos falando desta realização de dimensões incomensuráveis que é o Corintias. E entendo também que já vi, vivi e saboreei etapas importantes deste "Histórico", e pretendo seguir vivendo-as, pois isto é vida para mim e para todos vocês: a História somos nós.
VAI CORINTIAS!



segunda-feira, 2 de abril de 2012

A 2ª Geração.

Hoje pela manhã um número de São Paulo me ligou, não atendi, estava em aula. O número ligou novamente, e eu já sabia do que se tratava. Ele já estava doente havia muito tempo, nos últimos meses complicações, nas últimas semanas o agravamento.
Antes de tudo devo dizer: não serei hipócrita em falar que sentirei saudades, nunca houve convívio que fosse criador de saudades quando inexistente, pois - durante longos anos - não houve convívio.

Tirando breves períodos da infância, de que guardo as lembranças de uma tarde ou outra; de um passeio ou outro; de um presente transgressor (uma fita K7 dos Mamonas Assassinas) ou outro (uma cadernetinha de telefones com o símbolo do Corintias na capa), nunca fomos próximos, de fato.
Dos dez, onze anos em diante, nossos encontros se tornaram visitas anuais - quando muito - que duravam no máximo duas horas.

Muitos - ousaria dizer que quase todos - de nossos poucos contatos eram mediados pelo assunto único: Corintias. Lembro-me que em 2003 fomos visitá-lo, e ele ainda estava inconformado com a marcação ruim de Rogério em cima do Robinho, na final do Brasileiro de 2002.
Semanalmente, após o jogo do Corintias de todos os finais de semana, Seu Bruno ligava em casa, raramente nos falávamos, pois a ligação era direta ao meu pai.

Dentre um dos poucos momentos vividos com o 'Seu Bruno', como fui ensinado à chamá-lo (não tenho recordação de me referir a ele como "vô"), um deles talvez esteja entre as vivências mais relevantes desta vida.
Foi em Janeiro de 1995, Seu Bruno e meu pai, respectivamente segunda e terceira gerações de Corinthianos, me levaram ao Pacaembu. Mais do que acompanhar o jogo de Juniores entre Corintias x Nacional, me levaram àquele Templo para formar a quarta geração. Compraram-me uma fitinha de pano fino, com o escrito "Corinthians" e a prenderam em minha cabeça.

Diga-se de passagem, a formação da quarta geração foi um feito realizado com muito sucesso a partir daquela tarde.

Hoje, enfim, 2 de Abril de 2012, a segunda geração se vai.